Projeto 1
RESUMO

A região amazônica é constituída de diferentes ambientes, desde a floresta densa até áreas onde predominam formações típicas de cerrado ou mesmo áreas com predomínio de samambaia, após o desmatamento, que é o caso de uma área próxima a Cruzeiro do Sul.
Resende et al. (1997), sugerem que para a compreensão dos diferentes ambientes existentes há a necessidade de uma visão tetraedral dos fatores que afetam o equilíbrio ambiental. O solo, o clima, os organismos e o homem (ou os aspectos socioeconômicos) formam os vértices desse tetraedro. Dessa forma, o solo, constituindo um dos vértices, tem uma grande importância.
Outro vértice é o clima, por exemplo: pode-se ter o mesmo solo em região onde o clima pluvioso ou árido favorece o desenvolvimento de cactáceas, vegetação de cerrado ou uma mata exuberante; por outro lado, para o mesmo clima, dependendo do solo - arenoso, raso (pedregoso), etc. - podem-se ter diferentes formações vegetais que levam a diferentes necessidades de compreensão do equilíbrio ecológico e, também, das diversas formas de manejo. Assim o binômio clima-solo define um determinado ambiente, que pode ter uma maior ou menor resiliência quando modificados ou manejados. Se adequadamente conforme a aptidão agrícola tem-se áreas que podem ser cultivadas ao longo de muitos anos ou se inadequadamente rapidamente essas áreas se degradam e o problema ambiental é constituído.
Na Amazônia, apesar de ser considerada como uma grande região homogênea sabe-se que não o é e esta proposta encontra respaldo prático. No Acre, em razão de ter se originado de um antigo lago denominado de Sanozama (Amazonas de trás para frente), há grandes áreas de solos com argila de atividade alta, característica típica de solos de regiões semi-áridas, além de sido verificado a campo a presença de sulfato de cálcio preservado em ambientes com elevados índices pluviométricos. Este fato é anômalo e criam condições distintas no contexto amazônico. Solos com argila de atividade alta apresentam alta plasticidade e pegajosidade, influenciando no uso do solo e na permanência das pessoas no meio rural, uma vez que as estradas ou ramais que servem os núcleos populacionais tornam-se intransitáveis com uma chuva de pequena intensidade. Um fato relevante é que a vegetação predominante nessa região é a taboca (bambu). Este ambiente trás muitos ensinos: é o melhor exemplo para comprovar a relação existente entre solo e recursos hídricos superficiais (córregos e rios). Isto é, devido à baixa permeabilidade dos solos, a cota dos rios, no período das cheias se eleva drasticamente alcançando 15 metros de altura em relação ao período seco. Dessa forma, várias cidades têm parte de sua área inundadas como, por exemplo, Rio Branco, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul etc.
Diante do exposto, o uso de técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, com o emprego de imagens de satélite e aerofotos em diferentes escalas, associadas ao trabalho de campo - visita local, identificação do solo, do tipo de manejo, da vegetação, das condições climáticas, além do conhecimento do agricultor, são ferramentas úteis na identificação de áreas degradadas nos diversos ambientes amazônicos e no diagnóstico das causas da degradação. Conhecendo-se as causa pode-se propor soluções econômica e ecologicamente viáveis.